Graça

Estamos num tempo em que o avanço tecnológico atinge níveis inimagináveis.

As comunicações são imediatas, com velocidades assustadoras e o conhecimento avança em passos largos para o futuro.

Os seres humanos se integram ás máquinas e as conexões são feitas de forma a dominar o tempo e o espaço. Não se vive mais sem os aparatos tecnológicos que nos unem ao mundo das descobertas evolutivas dos aparelhos eletrônicos.

Hoje o conhecimento é grande, superficial e efêmero.

Mas o que presenciamos são seres humanos emergentes que se confundem com as máquinas. A individualidade aumentou apesar de se estar conectado com um milhão de amigos. A solidão ronda apesar da multidão presente. O diálogo se restringe á monólogos, solilóquios e a linguagem eletrônica domina e prevalece. A sensibilidade e percepção do mundo exterior deixaram de ter importância. Presenciamos grandes gênios dominantes dos computadores e se dizem sábios. A frieza diante da vida se faz presente. As relações humanas perderam o toque e cuidado essencial, são mais frequentes porem virtuais e impessoais. Não se olha mais nos olhos. A presença dos celulares invadem as mesas dos bares, dos lares. Dos quartos, dos leitos. E se conversa através deles esquecendo-se da presença do outro. Na maioria das vezes relacionamos em silencio e os celulares desrespeitam até os consultórios dentários, as reuniões de família, os encontros á dois (que agora são á três, digo, a muitos porque ele carrega multidões ao aconchego da intimidade). É um vício ou já é parte do corpo?

As relações inter-geracionais se conflitam. Os valores e princípios se expõem sem sentido, mudam de vestes e se desconectam do coração. Ética não existe mais no dicionário, generosidade se perdeu no tempo e respeito ficou démodé.

Agora, em oração eu peço ao bom Pai que ore por nós.

Que nesse fim de ano possamos adormecer em reflexão e acordar sem razão.

Que a paz e a sensibilidade invadam a alma e tragam o dom que acalma.

Que nos livre do pensamento, palavras e sentimentos negativos. E desses tantos conflitos destrutivos.

Que o perdão nos inunde e transborde em imensidão.

Que possamos resgatar os amigos, a família os entes queridos e os valores perdidos. E retomar a mão amiga, o abraço carinhoso e a emoção perdida.

Que o Espirito Santo de Deus nos contemple com a gratidão.

Que a ternura se expanda em doçura. E aflore o amor que cura.

E que o Natal nos traga as bênçãos de luz para iluminarmos em esplendor com amor. E tocar os corações endurecidos e leva-los ao desabrochar agradecidos em deliciosas carícias sublimes, serenas, divinas.

Possa a luz da Verdade dissolver toda e qualquer escuridão.

Que possam todos os seres viver em paz e retidão.

Que a saúde se faça presente, que o amor aflore nos algozes eletrônicos e nos conduza em sentimentos, trazendo-nos a luz que reluz, a paz que conduz.

E o Ano Novo chegue em esperanças de fé, coragem de mudanças e assertividade de condutas em direção ao encontro de nós mesmos, presente do Criador que agradecemos em louvor…

E o amor cure as feridas e traga lindas margaridas.

Feliz Natal! Feliz Ano Novo!

Texto do livro “SENIBILIDADE”

Dra. Dulcinea Mattar: Cirurgiã Dentista, professora e escritora. Membro da Academia Mineira de Odontologia cadeira nº3. Proprietária e dirigente do HOTEL GERIÀTRICO RESIDENCIAL HARMONIA. [email protected]. 32810311. 99989399.

 

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