Sabe aquilo que seu amigo te aconselhou? não faça

Kant dizia que o homem não deve fazer algo ou tomar alguma decisão caso algum destes fatores esteja presente:

 

  1. vontade de ganhar algo com a atitude/escolha
    2. medo de perder algo como consequência de não fazer

 

Kant dizia que toda atitude/escolha/ação que tomamos que for baseada na vontade de vencer ou no medo de encarar consequências terríveis será prejudicial pois serão atitudes condicionais, não envolverão o simples “fazer” que é a causa da existência, o experimentar pela própria experiência. Estarão condicionadas a um resultado onde a frustração e a dependência é iminente. Apenas o fazer “desinteressado” traz uma experiência rica e real da vida.

 

“O que tem isso a ver com conselhos de amigos? O que isso tem a ver com avisos, alertas, dicas, de pessoas bem intencionadas que me querem bem?” TUDO e mais um pouco. Hoje vamos ficar com o aspecto número 2. FAZER ALGO COM MEDO DE ENFRENTAR CONSEQUÊNCIAS TERRÍVEIS.

 

Porque isso nunca dá certo e porque deve ser terminantemente evitado? Você pode me dizer que escova os dentes porque se não fizer, irá ter cáries, que não come fritura para não ganhar peso, que leva seu cachorro para passear para ele não ficar triste e que trabalha para não ficar sem ter o que comer, e que não existe mal nenhum em viver através de “evitar” consequências e que é até algo natural, presente na vida de todos.

 

E eu te digo que então, olhe para o mundo. E veja quanto desequilíbrio há, justamente porque as pessoas tem feito as coisas por “evitar” a negatividade. Toda vez que fazemos algo por/com medo das consequências, damos um tiro no próprio pé, pois já sabemos que um jogador de basquete não pode mirar a cesta por medo de perder o jogo, pois colocaria tudo por água abaixo, mas quando se trata de nós mesmos, não somos capazes de nos alimentar bem pelo prazer de ter um corpo saudável e feliz, mas sim com aquela CARGA DE SACRIFÍCIO por “não poder” comer de tudo, por MEDO DE ENGORDAR ou ficar doente.

 

Saímos com pessoas, vamos a eventos, não pela alegria de estar compartilhando momentos juntos, mas simplesmente porque “se não for, a fulana vai achar que é desfeita, vai ficar mal”. Escovamos os dentes com alegria por ser tão gostoso fazer um hábito cotidiano que cuida de nós mesmos com zelo e amor? Passeamos com o cachorro porque o deixa feliz, e nos deixa feliz também? Trabalhamos porque nos traz uma incrível sensação de utilidade ao mundo e vitalidade e encaramos o dinheiro como consequência de nossa alegria ao cumprir nossas tarefas diárias?

 

O que quero dizer é que da próxima vez que um amigo, familiar, guru, pessoa muito bem intencionada disser: “não faça isso pois vai se dar mal; faça aquilo pois assim vai evitar sofrimento; não saia de casa assim pois vão pensar mal de você; não fale dessa forma para não atrair olhares; trabalhe com isso para não ficar sem dinheiro – então o que você deve fazer é simplesmente ficar com a primeira parte da história, que é o : “Faça isto” e então considerar se REALMENTE tem a ver com você e o que você SENTIRIA fazendo TAL COISA. Caso o maior impulsionador da ação for o MEDO, caia fora.

 

Infelizmente o que acontece é que as pessoas ficam com a SEGUNDA PARTE DA HISTÓRIA muito marcada em suas consciências, o “SE NÃO…/SE QUISER EVITAR...” pois o MEDO é um artifício habilmente implantado mesmo por quem quer auxiliar, pois eles também captaram medo de outras fontes. Passam como avisos bons, conselhos, mas não importa, porque ESTÁ CONTAMINADO COM O MEDO. Acontece que você poderá tomar a escolha oferecida ou não, quanto a isto não há problema nenhum, desde que em seu coração não haja a sensação de que poderá ser punido de alguma forma se não fizer ou se fizer tal coisa.

 

Antes de se deixar impressionar pelo medo, identifique que não são pessoas “más” que implantam medo no mundo, caso contrário o mundo seria repleto de seres malignos e traiçoeiros (como muitos pensam), mas ele é feito de pessoas como eu e você, que estão trabalhando para se liberar dos medos acumulados era após era. Cabe a nós, com consciência mais desperta, observar as mensagens de medo e interromper os processos de automação na “educação moral e cívica” que recebemos de fazer porque “SE NÃO…

 

Muita coragem na exploração de crenças limitantes e no embarque de um caminho totalmente novo, que é o que o momento exige de todos nós.

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