A arte de educar os filhos: controle, limites e transgressões

A educação dos filhos é uma prática complexa.É composta por diversos elementos: amor, carinho, dedicação, atenção, transmissão de valores, normas de condutas, definição de regras, correção das atitudes imaturas dos filhos e implementação de limites. Se fosse um bolo, esses ingredientes deveriam ser mesclados da forma correta para um resultado saboroso e uma consistência firme.

A prática de implementar os limites é muito importante para preparar as crianças e adolescentes a viverem em sociedade, pois, para uma boa convivência, são necessários o respeito às pessoas e autoridades, além da aceitação de normas e regras.

No entanto, colocar limites nos filhos não é uma tarefa simples, pois é natural de todo desenvolvimento humano que os limites sejam testados e colocados à prova, visando o exercício da autonomia. As transgressões não devem ser sentidas como ameaças e não há necessidade de reagir a elas com violência. Se os limites não fossem testados, não haveria a superação dos limites. Mas é importante discernir os momentos em que os limites precisam ser respeitados dos momentos em que eles podem ser superados, visando um crescimento pessoal.

As crianças vão testar os limites, desobedecer, ficar com raiva.  Dessa forma, a compreensão das regras facilita a aceitação das mesmase a compreensão do motivo pelo qual elas estão recebendo uma correção é importante para a aceitação da autoridade. Elas precisam sentir que a correção é justa, sem carregar demais nas tintas, visto que uma postura extremamente autoritária, sem espaço para argumentações enegociações, não favorece a aceitação dos limites pelas crianças e adolescentes.

Alguns aspectos que devem ser considerados ao colocar limites: os limites precisam ser claros e estabelecidos previamente; eles não são pedidos de favor e têm, portanto, um caráter de obrigatoriedade; os limites podem ser verbais, apenas delimitados pela conversa; se os limites verbais não forem respeitados eles precisam transmitir noção de consequência imediata dos atos. Esses limites são conhecidos como limites de ações (retirada de benefícios, castigo).

No passado, uma prática comum para colocar limites era através da violência física. A tão conhecida palmada hoje é vista como uma agressão física e a “Lei da Palmada” estabelece o direito de a criança e do adolescente a serem educados sem castigos físicos. Os pais, quando sentem a ameaça a partir da transgressão e desobediência dos filhos, tendem a reagir com violência e de cabeça quente. A dica aqui é não agir no momento da raiva e estabelecer o limite da ação de maneira firme.

Como o amor fica nessa história quando parece-se viver em um jogo de cabo de guerra?

O amor e o carinho devem permear toda a relação dos pais com os filhos. Os pais não podem retirar o afeto do filho, se distanciarem e tornarem-se frios porque eles desobedeceram um limite. Os filhos precisam reconhecer que os pais são a autoridade, sendo assim, o limite não pode deixar de ser estabelecido por eles pelo medo de perder o amor dos filhos. Os filhos demostrarão raiva, irão falar que não gostam dos pais, fazer birra e dizer que são injustiçados, mas o amor e a intimidade afetiva devem ser maiores, de maneira a transmitir a segurança de que o amor permanecerá mesmo que existam alguns conflitos na relação entre os pais e seus filhos.

Saibam mais sobre este tema no livro: Controle, limites e transgressões dos autores Carlos Luis Ferreira e Maria Luiza Milagre. Editora Artesã 2015.

Ana Luíza de Carvalho Araújo é psicóloga do desenvolvimento infantil , trabalha na equipe de apoio pedagógico da Clinica Aprendizagem e Companhia.

Aprendizagem e Cia : Rua Ludgero Dolabela, 101 – Bairro Gutierrez/BH telefone: (31)33727231

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