Governabilidade – Brasil

Nos últimos tempos, na ambiência política, destaca-se a palavra governabilidade. Muito se reclama a sua falta, ou se reafirma a sua necessidade, como pré-requisito à Democracia. É também um vocábulo que contém uma considerável informação linguística. Define uma conjuntura que envolve a estabilidade política, social e financeira, para que o poder executivo possa exercer plenamente as suas atribuições. Ela é a garantia das relações entre os poderes, o sistema político-partidário e, finalmente o equilíbrio entre a situação e a oposição.

Pelo visto, considerando a sucessão infindável de escândalos nos mais diversos escalões do governo, partindo da própria presidência, a governabilidade parece cada vez mais se afastar no horizonte tormentoso, gerado por esta sequência de problemas.

O foco do governo pós-PT se escora na recuperação econômica como alavanca para um crescimento sustentável. Para tanto ele necessita, urgente e desesperadamente da implementação de reformas econômicas, previdenciárias e sociais, que atingem de maneira duríssima o modus vivendi de vários entes públicos e da população de modo geral. Na maioria dos lares e nas rodas de conversa, a sigla PEC 241 / 55, se tornou conhecida e motivo de opiniões contrárias. Ela que, em suma, parametriza os gastos públicos a determinadas condições, chega a ser apontada pelas organizações de esquerda como a negação aos direitos fundamentais, pois, atingiria de maneira nociva, principalmente a saúde e a educação, pelos próximos vinte anos de sua vigência, se aprovada no parlamento.

Por outro lado, o Governo afiança que sem este limite à gastança pública, o País, em pouco tempo, estaria falido, o que significaria o caos absoluto em todos os serviços públicos. Afirma também que foi justamente esta gastança desenfreada que levou nos últimos doze anos a transformação da marolinha no tsunami econômico que estamos atravessando.

Sem qualquer dúvida o Brasil necessita urgentes reformas, que requerem grandes sacrifícios, se quisermos retomar o crescimento econômico, recuperarmos a empregabilidade, as condições de investimento na saúde e na educação e a paz social.

A sombra aterradora de uma política antiga de conchavos e arranjos entre grupos que se alternavam no poder, coroada pela tentativa de aparelhamento do Estado pela Estrela Vermelha, objetivando a perpetuação na direção do País, se adensa e tolda a visão de uma solução política que garanta a continuidade das instituições e, por conseguinte, formate um ritual de passagem do lado ruim que estamos vivendo, para o lado transparente, ético e moral na condução das atividades públicas, para a construção de um Brasil Novo.

A sucessão infindável de escândalos alimentados pela corrupção nos diversos níveis do poder, a mistura absurda do público com o privado, o franco desrespeito às leis, sustentado pela quase impunidade total, a insegurança jurídica que atravanca o investimento empresarial, a seríssima crise da segurança pública, onde o cidadão de bem queda-se à mercê do marginal, o caos na saúde e na educação públicas, etc, etc, … bloqueiam  a soluções possíveis e embaçam o horizonte da esperança de que verdadeiros líderes democratas brotaram deste estado de coisas, e conduzirão o nosso povo, sem se descuidarem de trilhar os caminhos da democracia.

Certo é que, uma reeducação geral que possa trocar, o jeitinho brasileiro por uma relação de valores onde o dever venha antes do direito, onde um novo vocábulo, na verdade um anglicismo, Compliance, se torne meta buscada por cada um dos que, por dever de ofício e de cidadania, se importe em passar a limpo o Brasil. Compliance, originado verbo inglês to comply, significa agir de acordo com uma regra, uma instrução normativa. Ampliando o seu entendimento, significa observar todo o arcabouço legal, observar as ética e moral públicas, para o bom exercício da governança.

809454641Colaboração:Vereador Coronel Piccinini

É especialista em segurança Pública e Presidente do Clube dos Oficiais da PMMG   

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