Caixa de Pandora – Uma estória sem fim

Vereador Coronel Piccinini

Há algum tempo, em artigo versando sobre os seríssimos problemas político-econômicos que, norte a sul, varrem o Brasil, utilizei do mito grego da Caixa de Pandora. Pandora, segundo o mito, era uma belíssima mulher, criada por Zeus, o deus maior do panteão grego. Ao mandar-lhe à terra, deu-lhe de presente uma caixa fechada, que continha em seu interior todos os males do mundo e a virtude da esperança. Pandora abre a caixa, libertando todos os males, conseguindo apenas segurar a esperança, que repousava em seu fundo. A partir de então, a humanidade helênica teria ficado sujeita a estes males, mas, manteria ainda a esperança de tempos melhores.

Sem dúvida a esperança é o motor que faz movimentar a humanidade. Ela é tão arraigada às emoções humanas que, mesmo submetida a extremas provações, um fiapo de esperança é o bastante para que a humanidade, depois de uma queda, se levante e arranje forças para continuar em frente.

Pandora deve ter escolhido agora o Brasil para abrir a sua caixa. Os problemas vão se sucedendo em ritmo alucinante. Parece que ao contrário de serem solucionados, vão se avolumando, como numa estória sem fim. Chega-se a perguntar se Pandora desta vez não deixou escapar também a esperança, que fugiu voando para outras paragens, que não as nossas.

Reunindo a cúpula da Cúria Romana, o Papa Francisco passou uma carraspana em seus Cardeais, que encaixa como uma luva na nossa elite dirigente, tanto do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Chamando alguns comportamentos de doenças sociais, em outras palavras, o Sumo Pontífice listou quinze deles em sua fala. Atacou o acúmulo de bens, o lucro mundano, a vanglória nas atitudes, as fofocas que destroem reputações, a covardia dos que atacam sempre por trás, os áulicos, puxa saco dos chefes, sempre carreiristas, os grupos fechados em torno das próprias vantagens, ignorando todos os outros, a síndrome da imortalidade, os superegos, que vivem o mal do poder e do narcisismo, a falta de fé e a dupla vida que muitos levam, se mostrando de uma forma, comportando-se de outra.

Parece que a Cúria Romana se aboletou nos Poderes em Brasília, contaminando com a sua doença grave de crise ético-moral, as demais esferas estaduais e municipais.

O País está em uma das mais difíceis encruzilhadas do seu curso histórico. Ou toda a bandalheira é passada à limpo, ou volta-se ao status-quo-ante, contra o qual a sociedade de bem vem pugnando. A ameaça de uma séria crise de governabilidade, paira sobre todos e serve de pretexto para apontar, como saída possível, o perdão oportunista dos atos de corrupção dos políticos, rotina que é exposta no dia-a-dia da sociedade. Mais ainda, a esquerda sempre oportunista, propala a tese de golpe contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Para justificar os seus pecados mortais, firma a cantilena de que eles foram necessários, para evitar-se o mal maior da direita no poder, que oprime e escraviza. Assim tenta engabelar a parcela maior da população mal informada, incensando os seus líderes como santos do pau oco.

Por outro lado, a falta de uma liderança autêntica e honesta, capaz de convencer a população do necessário sacrifício para tirar o País do buraco de fétida lama que nos jogaram, torna mais penoso e incerto o caminho a ser percorrido. A violenta crise econômica é real. Ela engole empregos, provoca desavenças e pode levar a Nação a uma eclosão de um conflito social ainda nunca visto na história brasileira. A conta do desgoverno, da corrupção e do mau-caratismo dos gestores públicos, vem sendo debitada para o povo pagar. É um remédio extremamente amargo. A população revolta e não o aceita. Cobrar dos políticos, aboletados há anos no poder, um tratamento mais justo, onde os sacrifícios sejam repartidos para todos e não aceitar nada que for contrário, é a única forma de fazer retornar à Caixa de Pandora a virtude da Esperança, que, devido a sequência infindável de problemas, parece ter se esvaído, nesta estória sem fim.    

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