O LONGO CALVÁRIO BRASILEIRO

A partir de denúncias do “Mensalão”, o desassossego que invadiu a ambiência política no Brasil gerou um clima negativo, permeando tudo o que se referisse ao exercício dessa atividade, diga-se, imprescindível à democracia. De lá para cá, em curtos intervalos de tempo, outros fatos escusos: corrupção, propina, promiscuidade entre o público e o privado, etc, ocuparam toda a mídia. Neste contexto os brasileiros foram sendo apresentados a alguns nomes que se tornaram, ao mesmo tempo, fonte de esperanças e de preocupações: “Castelo de Areia”, “Satiagraha” “Petrolão”, “Acrônimo”, “Carne Fraca”, Patmos, dentre outros. Este último, de significado aterrador, “apocalipse”. Será o fim dos tempos para o Brasil, hoje metastático pelo câncer da corrupção, ou sobreviverá com o remédio da esperança de ser passado à limpo, sendo aplicadas severas punições em todos os envolvidos? Se extirpado este câncer, com certeza o povo terá uma Nação onde a ética e a moral no exercício da política e no trato da “res publica”, não seja a exceção, mas, a regra.

Dora Kramer, reconhecida articulista política, em artigo publicado recentemente numa revista de grande circulação nacional, intitulado: “Cala a boca já morreu – Rompida a lei da omertá, o Brasil ganhou a chance de mudar”, com muita habilidade descreveu o atual cenário político. Em outras palavras, afirma que a solução do problema não vai ser fácil. Temos um presidente sendo investigado, pego em flagrante delito de obstrução da justiça. Um Congresso desmoralizado, com muitos de seus membros figurando em delações premiadas de graves delitos e com seus presidentes sob investigação. Referiu a Aécio Neves como o “Grão-Tucano”, até pouco tempo uma estrela em ascensão no cenário político nacional, agora afastado pela justiça das funções no senado e sendo investigado. Um ex-presidente em vias de ser preso e a sua ex-presidente sendo conhecida como “… a guardiã da continuidade dos esquemas escusos chefiados por seu mentor, …”. Ela não vê nenhuma perspectiva de construção de consensos, que possam apontar um rumo seguro para o País, uma vez que não há lideranças no atual cenário político que reúnam as condições necessárias, ou sejam: “credibilidade, reputação, experiência, habilidade para promover consensos”.

Como na passagem de um grande comboio ferroviário, os cidadãos comuns, atônitos com os acontecimentos, assistem à beira da linha o desfilar de vagões e mais vagões, carregados com horrível carga de escândalos e mais escândalos, envolvendo corrupção e propinas, perpetrados por políticos e funcionários públicos, em conluio com grandes empresas. A torcida é para que este trem passe logo e que os desonestos sejam punidos com o Brasil passado à limpo, possa trilhar os rumos do desenvolvimento.

Cada escândalo que vai se sucedendo, suga os recursos econômicos e financeiros do País penalizando sobremaneira a população honesta e trabalhadora. É necessário que se apure com o máximo rigor, puna e divulgue os nomes dos envolvidos, para dar ao sofrido povo, esmagado por uma absurda carga de impostos, a energia e a esperança de que ainda é possível acordar o “Gigante Adormecido”, a Terra Brasilis, antes desconhecida e pura, hoje enodoada pelos maus políticos. As afirmações de que o jeitinho brasileiro e a corrupção chegaram com as naus Pedro Alvares Cabral, não pode e nem deve servir de desculpa cultural para este mal feito. A partir do governo Collor, a sistematização deste comportamento criminoso de lesa-pátria, com o beneplácito dos governantes foi se imiscuindo em todos os quadrantes da administração pública. É revoltante e quase ficcional o que vem sendo desvendado e submetido ao conhecimento de todo o povo. Resta saber o que estará por vir. Certo é que os “senhores feudais” aboletados na direção política do País, farão de tudo para salvarem-se. Há poucos “guardiões da fé”, dispostos a combaterem o bom combate para levar de vencida as satânicas forças do mal que esperneiam, tentando arrastar o Brasil para sendas bolivarianistas, em contraposição a outras que apostam suas fichas no autoritarismo de direita. A população, dando o seu apoio explícito a estes brasileiros, formará as falanges do bem que lhes garantirão a vitória. Enquanto isto não acontece, não se vê fim para o longo calvário brasileiro.

Colaboração:

Deputado Estadual Coronel Piccinini
È especialista em segurança publica e Presidente do Clube dos Oficiais dos oficiais da PMMG

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