O LONGO CALVÁRIO BRASILEIRO – II

Qualquer observador, mesmo pouco interessado, pode perceber que, lamentavelmente, considerando o atual cenário político-social, convivem-se dois brasis. Em um deles, o sofrido povo brasileiro, mesmo remando contra uma torrente de interesses, que não os seus, teima em tocar para frente este Gigante, que, como descreveu Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Cabral, em carta dirigida ao Rei de Portugal, Dom Manuel, datada de 1º de maio de 1500, em se plantando tudo dá, mesmo sem saber sobre as riquezas minerais.

No outro brasil, o estatal, a turma que deveria dirigi-lo no avanço civilizatório, com raras exceções, vem demonstrando capaz apenas de zelar por seus próprios e escusos interesses. Corrupção, propina, delação, mentira, escuta clandestina, promiscuidade entre o público e o privado e mais todo tipo de atos, onde a ética e a moral passam ao largo, sobrevivem e vicejam no ambiente do estado. O poder e a falta de pudor dos donos do poder, são de fazer inveja aos mandatários das primevas Capitanias Hereditárias, ou aos baronatos e ducados feudais da Idade Média. Mais de cento e cinquenta operações, com um expressivo número ainda se dividindo em fases, consta do repertório da Polícia Federal, umas conclusas, outras não, desafiando a inventividade para cunhar nomes pitorescos, tais como, Hidra de Lerna, For All, Chequinho, Zelotes, Ormetá, Acrônimo, O Quinto do Ouro, Carne Fraca, Ali Babá, Caixa de Pandora, etc, passaram a habitar o imaginário popular, como gazuas capazes de romperem o hermetismo das fechaduras que protegem os mal feitos. Certo é que, todas têm como objetivo recuperar o Brasil para os brasileiros, como uma Pátria onde ordem, progresso, moral, ética, não sejam apenas belas figuras de retórica, mas se constituam em verdades e comportamentos irrefutáveis, capazes de mudar o universo político para o bem, onde a corrupção e outros crimes de colarinho branco, fiquem como exemplos de um passado que não deve ser repetido.

Apesar da Espada de Dâmocles, sustentada por tênue fio, pairar sobre muitas cabeças coroadas da elite dirigente, com escândalos cataclísmicos prometidos para a semana seguinte, como numa novela de extremo mal gosto, a Pátria Brasil, do sofrido povo, teima a trabalhar, apostar no possível desenvolvimento, levada pelo melhor motor da humanidade, a esperança.

Como em um trem, onde falta um hábil e confiável maquinista, o Brasil corre sérios riscos de entrar por ramais não desejados, que apontem para longe de nossa tão recente democracia.

Na falta de dirigentes ilibados, com liderança e vontade política para a adoção de remédios amargos, a violência criminal atinge a todo o povo, indiscriminadamente. Surfando na onda permissivista, cunhada pela ideologia bolivariana, a impunidade vai retroalimentando este caudal violento. O posicionamento descarado de homens públicos contra as ações das forças da lei e da ordem, aplaudidos por minorias radicais, sacrifica os cidadãos de bem, enquanto vai criando algemas para estas forças. Ideologias, as mais espúrias como a de gênero, invade a estrutura familiar, quando nega o princípio basilar da raça humana, personificado na existência do masculino e do feminino. Qualquer opinião que não aplauda estas posições, não é admitida e tachada no mínimo de retrógada. Quem a emitiu, se vê transformado por estes grupos em boneco de judas, para ser malhado e queimado em praça pública. Assim, à trancos e barrancos, o povo ordeiro tenta sobreviver, agarrado sempre à esperança por dias melhores. Porém, para tornar realidade o esperado, cada cidadão tem sua própria arma. Cada um, um voto. Um precioso voto, que breve será exercido na escolha de seus dirigentes, dentro das regras democráticas. Não haverá como se livrar dos maus políticos, sem que as urnas exponham a aversão dos eleitores pelos seus mal feitos. Sem isto, tudo não passará de vulgar blábláblá, continuando tudo como está. Exerça este seu poder com consciência. Busque escolher bem, pelos critérios da ética, da moral e da honestidade, em quem votar. Resgate para a realidade a esperança por dias melhores.

Colaboração:

Deputado Estadual Coronel Piccinini
É especialista em segurança publica e Presidente do Clube dos Oficiais dos oficiais da PMMG

Facebook Comments

Post a comment