Criminalidade. O caminho mais curto para o caos social

As principais religiões, numa interpretação mais simplista, vêm na criação do mundo o ato de reordenamento do caos, a vontade primordial, separando a luz das trevas. Partindo daí todas as coisas foram ordenadas e, por vontade divina, criou-se a vida. Esta necessidade de explicar e catalogar a sequência das coisas, funda-se no mais primevo desejo humano. O afã de ordenar e parametrizar as relações sociais, sedimentou o caminho para a civilização. Dentro desta concepção sociocultural, fica claro que o caos, este estado de desordem, de confusão, de desequilíbrios, é a antítese da evolução humana.

Saindo fora da concepção metafísica dos arranjos sociais, a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana, fica a lição de que o homem, na sua marcha evolutiva, não pode conviver com a desordem. Pode-se dizer que ela desarranja o tratado social. Sempre que algo ou alguma coisa interfere, de maneira contundente, entre o ser humano e a civilização, este óbice deve ser removido, ou corre-se o risco de estabelecer o caos social.

No mundo moderno, povoado por contradições, a criminalidade afeta negativamente nas relações humanas, desarticulando-as, promovendo inclusive reações que fogem a lógica da sociedade dita civilizada. Uma vez que a criminalidade afeta estado de tranquilidade pública desarticulando as regras do tratado social, coloca-se em cheque a capacidade do estado em prover a necessária segurança para os cidadãos de bem.

Mesmo que este sentimento de impotência aflore mais em relação ao crime violento, os atos delitivos chamados de colarinho branco, como a corrupção, destroem com mesma, ou maior virulência, as relações população X estado.

Especificamente nos crimes violentos, o medo, grassando entre as comunidades, tende-as para a regressão às paliçadas, aos fossos, às torres de vigília, ao fechamento das moradas por grades e a outros dispositivos físicos de proteção, enquanto o marginal campeia livremente pela urbe ou pela zona rural, devido à falta de efetividade no combate a estes crimes.

Lamentavelmente a população brasileira convive com estes dois fenômenos criminais. A corrupção, exercitada pela elite política dirigente, infectou o tecido da gestão pública e levou a população a um estado de anomia social, pela falta de líderes que inspirem confiança. O aparelhamento do estado, com fins ideológicos, implantou a sensação do nós e do eles, uma situação de confronto, que pode radicalizar a intolerância entre os grupos. Além deste mal, o desvio das vultuosas somas de dinheiro público, cercou a aplicação dos necessários recursos nas políticas sociais, levando as carências dos serviços de competência do estado a níveis insuportáveis. Não é segredo o caos estabelecido nas questões da saúde pública, da educação, da segurança e de infraestrutura, pela falta de investimentos adequados e, quando os há, desviados de sua finalidade, são lançados no esgoto da corrupção.

No Estado do Rio de Janeiro, os confrontos armados promovidos pelo crime, de janeiro de 2017 até a data da elaboração deste artigo, vitimaram 97 policiais, atingido proporções somente vistas em regiões conflagradas por guerras. Partindo de lá o predomínio das quadrilhas organizadas na prática da violência criminal, tende se a espalhar pelo resto do Brasil. O sistema penitenciário, muito deficiente, serve de palco, vez por outra, a dantescos massacres, como forma de imposição do terror e para mostrar o poder de mando destes reis do crime. Na expressão do Ministro da Defesa Raul Jungmann, o Rio é um estado capturado pelo crime organizado”. Como integrante de um Governo que ameaça soçobrar, faltou-lhe dizer que Brasília também vive o mesmo drama, com as sujas entranhas da corrupção sendo expostas pela Lava Jato, num doloroso processo que não parece ter fim.

O caos não chegou de pronto. A permissividade, a imposição das minorias sobre as maiorias, o afrouxamento dos costumes, populismo, assistencialismo sem fronteiras, inchaço da máquina pública, desmerecimento das forças de segurança, doutrinação ideológica nas escolas e negação dos valores familiares, etc, etc, etc, tudo rezado na cartilha gramicista, solapa e concorre para aniquilar a democracia, através do desmanche sistemático dos valores pátrios. Contra isto, só uma arma, a do voto consciente, apostando no novo e na ética na política. Com novas vontades e novos dirigentes, poder-se-á professar a máxima civilizatória: Bandido bom, é bandido na cadeia. Contra o estabelecimento do caos, pela ordem, disciplina, progresso e dever de cada cidadão, contribuir para o reerguimento da Nação Brasileira.

Deputado Estadual Coronel Piccinini
É especialista em Segurança Publica e Presidente do Clube dos Oficiais da PMMG

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