Espiral da História

Deputado Coronel Piccinini

Presidente do COPM

 

A história pode ser representada por uma espiral, que vai se desenrolando em curvas num plano, de modo regular, gerada a partir de um ponto fixo ou polo. Esta linha afasta ou aproxima deste polo, segundo uma lei determinada. O enunciado, de aparência complicada, serve para dizer que o fato histórico, guardada a distância na linha do tempo e as condições que lhe deram concretude, repete-se em seus fundamentos básicos.

Winston Churchill, que se destacou como o principal líder britânico durante a II Grande Guerra, no início de sua obra, Memórias da Segunda Guerra Mundial, quando tratou das condições políticas e econômicas que conduziram a humanidade para esta hecatombe, alinhavou algumas que cabem perfeitamente para a crise que hoje vivem os brasileiros.

Em sua opinião, o conflito que ceifou a vida de mais de cinquenta milhões de pessoas, em sua maioria civis, poderia ter sido evitado, se as nações observassem alguns detalhes de convivência. Cita-se dentre outros: “A maldade dos perversos foi reforçada pela fraqueza dos virtuosos”; “… as recomendações de prudência… podem transformar-se nos principais agentes de um perigo mortal”; “… o meio-termo adotado em função de desejos de segurança e de uma vida tranquila pode conduzir diretamente ao centro do desastre”. Continuando, pontuou que as democracias devem cuidar de juntar-se umas as outras para “… dar segurança às massas humildes” e que a política de preservação deve ser preocupação constante, não apenas um oscilante capricho político de alguma liderança, abandonada pela seguinte. O famigerado ditador nazista, Hitler, seu contendor, numa das disposições que registrou na obra, Minha Luta (Mein Kampf), pregando sobre a tomada do poder para a implantação do Nacional Socialismo (Nazismo) na Alemanha, disse que as virtudes burguesas de paz e ordem, promovem a acomodação e o acovardamento da classe média, tornando-a presa fácil das filosofias extremistas. Mudando apenas o rótulo, esta afirmação é uma verdade para qualquer “ismo” político se impor e aboletar-se do poder.

No Brasil, o exemplo do que políticas permissivistas e autoridades corruptas e lenientes pode levar de derrocada a sociedade organizada, é mais gritante no Rio de Janeiro. Iniciando no governo Brizola, em nome de uma liberdade socialista, as forças que garantiam o avanço civilizatório foram sendo refreadas e desprestigiadas, enquanto o crime foi se organizando. Partindo dos morros, é hoje um poder considerável, que desafia o estado em contê-lo. A mistura entre o legal e o ilegal, entre o público e o privado, avançando sobre a elite política carioca, fez do “maior cartão postal do Brasil”, um exemplo de desgoverno, de anomia pela ausência da moral e da ética na gestão política. Cenas fortes, sempre levadas ao ar pela mídia, mostram quadrilhas organizadas, alimentadas e armadas pelo tráfico de drogas, cada vez mais fortes, espalhando o terror por comunidades inteiras, acuando as forças de segurança encarregadas de combate-las. De janeiro a setembro deste ano, mais de cem policiais já perderam a vida, vítimas de homicídios praticados pelo crime violento. A classe média, acomodada na beleza natural de sua cidade, liderada por ongs que parecem viver em Marte, é pródiga em manifestações pela paz, abraçando pontos de destaque da cidade, plantando cruzes nas areias de Copacabana, desfilando todos de branco pelas ruas, acreditando que o cruel e bem armado marginal irá se intimidar ou ao menos se incomodar com tal pantomima de ópera bufa.

A lição da história reza que, em momentos aonde as comunidades ordeiras vão se tornando reféns do terror do crime violento, no desespero pela sobrevivência, na busca pela paz social, elas acabam por abrir mão de direitos, para se colocarem a salvo sob o jugo de lideranças absolutistas. Isto acontecendo, a jovem democracia brasileira corre o risco de não subsistir. Porém, enquanto houver um fiapo de sonho e o respeito às leis, haverá sempre a esperança de que nossa democracia, como uma fênix, sairá mais forte depois de toda esta turbulência. Não podemos e nem devemos desistir dela, para atender a chamamentos messiânicos de lideranças que não se dispõem a respeitar os direitos do povo, como um todo. Os fins não podem, absolutamente, justificar os meios.

Colaboração:

Deputado Estadual Coronel Piccinini.

É especialista em Segurança Publica e Presidente do Clube dos Oficiais da PMMG

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