Enxugar gelo – Crônica do Cotidiano

A língua é um patrimônio social vivo. Ela se adapta, criando muitas expressões, de certa forma até pitorescas, que possuem grande amplitude de entendimento e retratam fielmente algum fato de importância social em determinado período. Podem cair ou não no esquecimento, dependendo da resiliência do fato que representam.
Enxugar gelo” é uma expressão linguística, muito atual para uma imensa gama de ações, mais do que necessárias, mas, considerando a falta de efetividade na continuação das mesmas, vem impactando diretamente na capacidade do Brasil sair do atoleiro em que foi metido, por uma ideologia gramacista. Antônio Gramsci, foi um filósofo marxista, italiano, falecido em 1937, que teorizou sobre uma forma incruenta de implantação do marxismo, através da infiltração de ativistas nas diversas camadas e nos diversos meios da sociedade, como imprensa, religião, políticos, professores, legisladores, jurisconsultos, reescrevendo a história sob o ponto de vista da ideologia socialista. O resultado espelha-se no caso do “nós e eles”, muito usado pelos líderes da esquerda brasileira, quando se coloca como a detentora exclusiva da paixão pelos pobres e pelos trabalhadores, enquanto o outro lado seria a danação desses últimos.
Em todas as áreas de atuação social onde o estado, ou tem o monopólio ou é preponderante para a organização da sociedade, a falta de efetividade na solução dos problemas, tem transformado as ações dos órgãos competentes, num verdadeiro “enxugar gelo”. Trocando em miúdo, isto quer dizer a realização de ações paliativas, que não alcançam plenamente os objetivos planejados.
Em entrevista a um importante veículo de comunicação social de Minas Gerais, um destacado gestor da Defesa Social, confessou ao repórter que, em muitas situações, tem-se a impressão de estar enxugando gelo, nos hercúleos esforços da Polícia Militar para a manutenção da Paz Social. É o famoso prende e solta. É a opção muito praticada por setores responsáveis pelo seguimento da ação, do “Persecutio Criminis”, que é o conjunto das atividades desenvolvidas pelo Estado que permitem atribuir punição ao autor de um crime cometido.
A imprensa é pródiga em noticiar seguidas prisões do mesmo marginal violento, flagrado pela Polícia Militar na prática de roubos, que, em muitos casos, são liberados antes mesmo que a guarnição da viatura policial redija o Boletim de Ocorrência. Em outros, é claro que nas benevolentes e complacentes brechas das leis, autores mais que confessos de crimes violentos são colocados em liberdade pela autoridade judiciária, no ato da Audiência de Custódia. De novo nas ruas, estimulados pela impunidade devido á leniência na interpretação das leis, voltam a delinquir, exigindo novos esforços, da já esforçada Polícia Militar, para mais uma vez retirá-lo de circulação. Aí, novamente, repete-se esse círculo vicioso. É um infindável enxugar gelo.
Num momento de parcos recursos públicos, num momento de alta na violência criminal, essa doutrina de não aprisionamento e “tolerância máxima” para com o ato delitivo, deixa para o cidadão, cada vez mais indignado e intimidado, poucas opções. Os tempos estão a requerer mudanças profundas no modo da gestão pública, em todos os poderes. Não dá mais para tampar o sol com a peneira. Uma resposta firme nas urnas, acaba sendo o depositório da maior esperança de que melhores tempos são possíveis. Essa resposta, por sua força democrática, haverá de promover a limpeza também dos imundos criminosos de colarinho branco, para que possa ser restaurado o orgulho de ser brasileiro.

Deputado Coronel Piccinini

 

 

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