SOCIEDADE ROTULADA

No Brasil, a chegada das esquerdas no poder, surfando a onda da utopia socialista que, diga-se de passagem, percorreu várias partes do mundo, além do aparelhamento do Estado e a sistematização da corrupção, no seu projeto de poder, cuidou de rotular a sociedade brasileira, estabelecendo a dicotomia do “nós” e do “eles”.
À medida que os governos socialistas iam se sucedendo, aproveitando da estabilidade econômica mundial do início do século XXI, o discurso messiânico do ex-Presidente Lula, ia dourando a pílula de uma utopia, a revolução bolivariana no País. Posando de estadista, apresentava ao mundo um novo “milagre brasileiro”, sempre com o jargão “… nunca antes na história do Brasil…”. Diante dos sérios tropeços que a economia mundial apresentou à época, cunhada pelo mesmo, de forma jocosa, de marolinha, se furtou de preparar a Nação para enfrenta-los, desprezou os fundamentos básicos da economia e continuou a torrar bilhões de reais em países socialistas mundo afora. De repente, seria o Brasil dono da Pedra Filosofal e, ele, encarnando um moderno “Midas”, transformaria em ouro tudo o que tocasse?
Como sempre acontece com esse tipo de pessoa, quando as coisas não vão indo certas, a ignorância de tudo é a postura escolhida para se furtar da responsabilidade pelos acontecimentos, diga-se de passagem, funestos para o País, como um todo. Assim o Brasil foi sendo conduzido. A corrupção de mãos dadas com o Estado, fincada na ideia da impunidade dos poderosos, promovendo a destruição da cultura e dos costumes, seguindo à risca a cartilha gramiscista, reescrevendo a nossa história de modo a ir implantando o socialismo bolivarianista, sem necessidade do emprego violento da força.
Hoje, mesmo com a retirada dessa turma do poder, o País, com uma carga de mais de doze milhões de desempregados, com uma gestão política fraca, comprometida, e até, envolvida nos mesmos artigos das leis penais que os seus antecessores, vem nos faltando lideranças capazes de trilharem um caminho do meio termo, do bom senso, sobrando espaço para os radicalismos políticos que vicejam nesse tipo de seara.
A absurda morte por execução, da vereadora do PSOL Marielle Franco, transformada em fato midiático de exploração política, por ambos os lados da moeda, o “nós” e o “eles”, teve repercussão mundial. Concretamente, esse resultado vai de encontro a qualquer ato mais contundente de combate à violência do crime organizado, emparedando o estado no abuso da autoridade contra os mais fracos, pobres e favelados. A verdade, como privilégio e propriedade de só um dos lados, aquele que a alardeia, inevitavelmente, conduzira a população a adoção de um desses dois blocos, o “nós” ou o “eles”. Tudo funciona como se não houvesse outras opiniões, como os pontos médios do pensamento político-social, cedessem lugar apenas para os extremos dele, direita ou esquerda. Esse pensar maniqueísta, fratura seriamente a sociedade. Ou se adota o pensamento do outro, ou se coloca em trincheira oposta. Esse comportamento, à medida que domina a sociedade, dita o fim da democracia, no nosso caso, tão sonhada e desejada, mas, que não pode sobreviver sem os acordos dos contrários. Como está, cada grupo se arvora em possuir a verdade absoluta. A colocação do “nós” contra o “eles”, aprofunda as fronteiras invisíveis das classes, deixando um legado de ódio e intolerância, entre os que não compartilham das mesmas ideias de um grupo em oposição ao outro.
Os últimos episódios de rechaço à caravana do PT, acontecidos no Sul do País, abusando do poder das barricadas, dos pneus em chamas, de ovos, tomates e pedras, aliás aprendido nas cartilhas das esquerdas, podem vir a se transformar em conflitos de sangue, para os quais não há volta possível.
A desmoralização do poder moderador e da palavra final da Justiça, que garante a segurança jurídica para o desenvolvimento da sociedade, acaba por colocar esse importante segmento no mesmo caldeirão das bruxas.
Sem lideranças, com o respeito e a aceitação pela sociedade, para pilotar a “Nau Brasilis”, uma tenebrosa tormenta de convulsão social, hoje formando-se no horizonte, poderá se tornar realidade, colocando em sérios riscos a nossa democracia. É momento para tomada decisões, porém, com muita cautela e respeito ao estado de direito.

Colaboração:
Deputado Estadual Coronel Piccinini
Especialista em Segurança Publica e presidente do Clube dos Oficiais da PMMG

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