O penoso calvário dos brasileiros

Recentemente, foi transmitida por uma rádio, a entrevista com um caminhoneiro, de um dos muitos pontos de fechamento de rodovias, legtimo movimento contra o absurdo preço dos combustíveis e os sucessivos aumentos, praticados pela Petrobras, da qua,l vou tentar reproduzir alguns trechos, mantendo o máximo possível a fidelidade. Com muito frio e canseira, tamo aqui na luta. Num tem como ficar parado. Sou caminhoneiro a vida inteira. Custei comprar o meu. Assim, com o diesel caro como tá, vou perder tudo. Nossa luta é de todo o povo. Num tem “Trem de Ferro”, a comida anda nos caminhão. O gás anda nos caminhão. Tudo anda nos caminhão. O povo num tem culpa do político roubá. Num dá é pra pagá a conta. Nosso movimento num é político. É que num dá mais. Questão de ficar na praça ou passar fome. A entrevista prosseguiu. Com palavras simples, falando a gramática do povo, com certeza um mineiro, esse cidadão falou o que todos nós queremos e devemos falar. A Inconfidência Mineira, movimento libertário que teve em Tiradentes um de seus líderes, explodiu no ano de 1789, na Capitania das Minas Gerais, contra a opressão da Coroa Portuguesa, devido aos abusos políticos, cobranças de altas taxas e impostos do povo, como por exemplo, 20% de todo o ouro extraído. Sabe-se hoje, que a pesada carga tributária sobre os ombros dos brasileiros, em impostos e taxas, diretos e indiretos, excede os 40%. Saiu a Coroa Portuguesa e entraram os políticos corruptos.

Outra péssima notícia, a energia elétrica fornecida pela CEMIG, deverá sofrer reajuste de 25%. Pelo jeito, as lamparinas a querosene ou óleo de mamona, deverão voltar à moda. O reajuste das passagens do “pseudo-metrô” de Belo Horizonte, apesar de suspenso pela justiça, foi de 80%. No jargão popular, tá danado!

Parece que os “engravatados” de Brasília, com suas filiais nos estados, perderam o senso do absurdo. Na maior cara limpa, debitam para o já sofrido povo, a conta da gestão incompetente e da corrupção. A alegação é que, devido a desvios de finalidade anteriores ou a não correção das taxas, os absurdos aumentos são necessários, para não quebrar empresas ou para que o governo continue funcionando. Os senhores feudais da Idade Média, apesar da violência, exploravam um pouco menos o seu povo. Este, vez por outra, cercava e incendiava os seus castelos, condenava-os e executava a sentença. Hoje, depois do processo civilizatório, temos novas armas. A aplicação da justiça, condenando cada um desses “senhores”, na medida de seus crimes e, o nosso voto. Neste último, devemos depositar as nossas maiores esperanças.

Para não deixar passar a oportunidade, os serviços essenciais, de competência do Estado, como, logística rodoviária, saúde, educação e segurança pública, sofrem com o desgoverno instalado e se transformam em mais um pesado ônus para a população. No fim de semana do dia das mães, 12 e 13 de maio de 2018, a imprensa da Capital noticiou a ausência dos delegados de plantão na Central de Flagrantes 1. Ambos adoeceram e não puderam ser substituídos. Pessoas adoecem, isso é natural. O que não é natural, um serviço de tamanha necessidade pública, ficar travando o sistema de registro de ocorrências pela PM, durante todo um fim de semana. Neste caso, os marginais agradecem.

Navegando por estas águas bem turbulentas, continuam os brasileiros pelo seu penoso calvário. A esperança é o nosso voto nas eleições que se aproximam. Ética, moral, honestidade, respeito à pátria, à família e ao próximo, devem constituir na marca registrada daqueles, para os quais, direcionaremos os nossos votos.

Colaboração:
Deputado Estadual Coronel Piccinini
Especialista em Segurança Publica e presidente do Clube dos Oficiais da PMMG

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