NAU SEM RUMO

Com o fim do governo militar em 1985 e a promulgação da Constituição Federal de 1988, no Governo Sarney, denominada Constituição Cidadã, a distensão política propalada pelo Governo Geisel, foi então alicerçada em sólidas bases institucionais. Esta nova Carta Magna, diga-se de passagem, escrita e votada ainda sobre a sombra da restrição de direitos, alegadamente vigente durante os vinte anos dos militares no poder, pródiga em explicitar a defesa dos direitos e garantias individuais, foi motivante para o desequilíbrio entre direitos e deveres, nela expressos. Com o passar dos anos, este desequilíbrio se tornou cada vez mais patente nas relações entre pessoas, empresas e entre estes atores e o poder público, gerando greves, invasões, ocupações e depredações, via de regra, para a conquista ou para fazer valer algum direito aludido. Minorias e segmentos da sociedade, organizados em grupos de pressão, se multiplicaram, fizeram valer as suas vontades, conquistavam direitos que alegavam ter e, para a grande massa populacional, sem voz específica, a não ser nas eleições, sobrava a conta.

O Governo Fernando Henrique, de acentuado viés socialista, aproveitando da recuperação econômica permitida pelo Plano Real, deu mais concretude à miríade dos direitos, ampliada por novas leis infraconstitucionais. Também, durante o seu governo, na certa contando com o seu apoio, mesmo que indireto, em julho de 1990, durante um congresso internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores, foi fundado o Foro de São Paulo, com a presença de cento e onze partidos e organizações de esquerda, sob a presidência do ditador Fidel Castro, com o objetivo de implantar o marxismo no continente sul-americano.

O “método revolucionário gramicista”, foi adotado como o caminho para implantar no Brasil, a mudança da ordem político-social. Gramsci, um filósofo marxista italiano (1891/1937), elaborou a doutrina de hegemonia cultural para a tomada do poder, mudando o entendimento da sociedade em direção ao socialismo, para depois fazer a revolução comunista e colocar os esquerdistas no governo do País. Ao contrário dos violentos métodos revolucionários leninistas, o desmanche da sociedade em seus principais pilares, família, educação, segurança, saúde, propriedade, etc, abriria caminho para a chamada “revolução incruenta”.

Ao final do Governo FHC, Lula, aproxima-se da velha oligarquia política brasileira e, com encanto messiânico, vende para estas “almas” inquietas, mas, gananciosas, a ideia de uma nova ordem social, de convivência harmônica entre as duas mais dispares doutrinas, o capitalismo e o comunismo. A prometida estabilidade econômica, nos moldes capitalistas, foi o “plus” que faltava ao PT para ocupar a Presidência da República. Daí o aparelhamento do Estado, para a consequente implantação do socialismo bolivariano no Brasil, seria o coroamento dos objetivos do Foro de São Paulo.

Durante o seu governo, 2003 a 2011, aproveitando de uma onda de prosperidade mundial, adotando políticas econômicas, muito ao agrado da banca internacional, Lula investiu em programas sociais que lhe angariariam simpatias e o projetariam como um “Grande Estadista”, um timoneiro, que conduziria o Brasil para uma era de paz, mais igualdade entre as classes e desenvolvimento. Para ser este grande estadista e se projetar no cenário das nações, ele também não se importou em desviar inimagináveis quantias para obras em países socialistas do Terceiro Mundo, aliando-se a grandes empresas da construção pesada. Além disto, o aparelhamento do País descambou para uma nunca vista onda de corrupção pública. Este desgoverno seguiu com a eleição da Dilma Rousseff. Com a economia em pandarecos, ela foi apeada do poder pelo seu Vice-Presidente, Michel Temer, que pouco tempo depois exporia o seu envolvimento no mesmo mecanismo de corrupção.

O resultado, como não poderia deixar de ser, foi a desmoralização das instituições políticas e a falta de lideranças incapazes de encantar o povo, motivar a esperança e exigir os necessários sacrifícios para levar de vencida a crise socioeconômica e os problemas dela advindos. O governante, insensível às necessidades da sociedade, se torna refém dos grupos de pressão e das minorias organizadas. Trabalha acuado por greves, paralizações, explosão da violência criminal e, ainda, se vê sujeito as mais absurdas e imorais barganhas com o legislativo, em nome de uma governabilidade. Daí, recorrendo a um personagem do grande humorista, Chico Anísio, Justo Veríssimo, que o povo, se exploda.

Aproxima-se o momento das eleições. Sem timoneiro que a leve a porto seguro A “Nau Brasilis” se encontra à deriva. Os escândalos de corrupção continuam a suceder com teimosa frequência. A violência criminal, mata mais que cruentas guerras. A educação, sem a autoridade dos mestres, mais se assemelha a madrassas bolivarianas, que pouco ensinam e nada educam. Assim, nestes tempos, a esperança anda escassa. Para recuperá-la, o remédio é apostar nossos votos no “novo político”. Ato contrário, a nau continuará sem rumo, correndo o risco de espatifar-se nos afiados arrecifes das ideologias totalitárias.

Colaboração:
Deputado Estadual Coronel Piccinini
Especialista em Segurança Publica e presidente do Clube dos Oficiais da PMMG 

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