UM PAÍS SEM COPA

Mais uma vez, maquiados os problemas internacionais e as vicissitudes nacionais, o mundo se reencontrou em torno da “pelota” rolando nos gramados da vetusta “Mãe Rússia”, como se autodenominava a antiga União Soviética. Aqui no Brasil, por muitos, dito como o “País do Futebol”, onde outros tantos apostavam que, considerando os gravíssimos problemas socioeconômicos pelos quais anda passando a Nação Brasileira e, o tristemente inesquecível 7 X 1, que nos aplicou a Alemanha, por estas terras a Copa do Mundo não teria muita repercussão. Ledo engano. Com a “Seleção Canarinho”, sob o comando de um novo e experiente treinador, brilhando nas partidas classificatórias, com os craques cada vez mais aplicados, sem “cai-cai” que pudesse apagar o brilho dessas estrelas, tudo levava a crer que o País, mesmo com o povo sofrido, voltaria a reencontrar-se com a bola.

Brasil rumo ao hexa, palavra de ordem que, como num passe de mágica, reacendia as esperanças e servia como panaceia para os males do sofrido povo. Quem iria se lembrar do tsunami que varreu o País, de norte a sul, nos dez dias da histórica “Greve dos Caminhoneiros”, que, promovendo o caos no sistema logístico brasileiro, paralisou governos e promoveu o desabastecimento de produtos, insumos e, até mesmo, a mortandade de animais em granjas.

Desafiando a lógica, a possibilidade do “hexa”, promoveria até mesmo o esquecimento das mazelas e os infortúnios promovidos pela corrupção generalizada e pela desmoralização da elite política dirigente.

Depois de um início tíbio, contra, vejam só, a pequena Suíça, parecia que os deuses da bola voltariam as suas bênçãos para o Brasil. Afinal, na seleção de craques, estrelas milionárias de fazer inveja a alguns PIB, jogava ainda um dos melhores do mundo que, na certa, faria a diferença. Assim foi até nas oitavas de final. As “Parcas Mitológicas”, pareciam apontar um destino promissor para a Seleção Canarinho. Porém, “no caminho havia uma pedra. Havia uma pedra no meio do caminho”, essa pedra, chamada Bélgica, um país bem menor do que o nosso, desbancaria o “País do Futebol”.

Acabou-se o que era doce. Decepção para uns, alívio, para muitos. A folgança do trabalho, a alegria de estar vencendo em alguma coisa, que se mostraria capaz de influenciar negativamente no nosso PIB, trouxe o povo de volta para a dura, nua e crua realidade. Vivemos uma baita crise socioeconômica. Essa é a verdade!

Apagados os ecos da Copa, mais uma vez sem o “caneco”, o povo se depara agora com as eleições, onde deverão ser escolhidos: presidente, senadores e deputados, onde a descrença na classe política, poderá trazer enormes males para a democracia. Como nas crises nascem as grandes oportunidades, superando a descrença, cada cidadão deve se imbuir da responsabilidade do seu voto. Sem voto, não há mudanças. Sem mudanças, fica-se na mesma ou pode-se ainda piorar toda a situação do País. Portanto, apostar no novo, na honestidade, na ética e no moral de novos candidatos, indica ser a saída mais razoável para o enfrentamento da crise que se abateu sobre todos. Aposte então na mudança para melhor, exercendo, com consciência cívica, a cidadania através do seu voto.

Colaboração:

Coronel Piccinini

È Especialista em segurança Publica e Presidente do Clube dos Oficiais da Polícia Militar.

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